CARIOCAR + Círculo Ltda e Movimento Sou de Algodão
Obrigada por fazer parte desta banca de curadoria.
A proposta da ARTE PARA VESTIR é reconhecer novos talentos que trabalham com técnicas manuais, materiais têxteis e criação autoral, valorizando processos, pesquisa, identidade e novas possibilidades para o fazer artesanal.
Não buscamos necessariamente a peça mais comercial, mais sofisticada ou mais acabada.
Buscamospessoas criadoras que tenham algo a dizer e potencial para continuar desenvolvendo esse caminho. É um estímulo.
Algumas peças estão em processo de desenvolvimento para essa chamada e foram aceitas suas submissões, como promessa de que tais peças sejam desenvolvidas.
A seleção será feita de forma individual e independente por cada curador.
Você encontrará, nesta página, a apresentação de cada pessoa participante, imagens de seu trabalho, projeto proposto, informações sobre sustentabilidade e, quando disponível, o portfólio completo.
Após conhecer cada proposta, atribua sua pontuação nos critérios apresentados.
Como Usar?
Escreva seu nome no primeiro bloco. Onde está: “ Seu nome (curador)”
Automaticamente os outros blocos serão preenchidos com seu nome.
Se precisar, de mais informações sobre o participante, há um link para o portfolio enviado por ele, que abrirá em outra janela.
Você pode pontuar digitando ou usando as "setinhas" para baixo ou para cima no espaço.
Ao final clique no botão verde "Enviar" de cada um dos blocos.
COMO PONTUAR
A avaliação totaliza 100 pontos.
A nota deve considerar o material efetivamente apresentado.
1. CRIATIVIDADE até 15 pontos
Observe a capacidade de criar soluções, combinações ou abordagens que demonstrem inventividade.
Nota alta: apresenta ideias interessantes, soluções criativas e capacidade de experimentar.
2. ORIGINALIDADE até 15 pontos
Observe o quanto a proposta se diferencia de trabalhos já conhecidos.
Nota alta: apresenta uma abordagem própria, evitando reproduções ou soluções muito comuns.
3. IDENTIDADE AUTORAL até 15 pontos
Observe se existe uma linguagem reconhecível e uma visão própria de criação.
Nota alta: é possível perceber quem está por trás da criação e quais referências, escolhas ou pesquisas tornam o trabalho particular.
4. QUALIDADE DA EXECUÇÃO TÉCNICA até 15 pontos
Observe a qualidade do fazer: acabamento, domínio da técnica, construção, cuidado e resultado apresentado.
Nota alta: demonstra domínio técnico e cuidado na execução.
5. USO CRIATIVO DOS MATERIAIS até 10 pontos
Observe como os materiais foram escolhidos, combinados ou utilizados.
Nota alta: o material participa da criação de maneira inventiva e coerente, podendo apresentar novas possibilidades de uso.
6. RELAÇÃO COM SUSTENTABILIDADE até 10 pontos
Observe a coerência entre o discurso apresentado e as práticas demonstradas.
Considere, entre outros aspectos:
aproveitamento ou redução de resíduos;
escolha consciente de materiais;
durabilidade;
produção em pequena escala;
reaproveitamento e upcycling;
processos manuais;
pesquisa de materiais;
valorização de saberes e produção local.
Importante: sustentabilidade não significa necessariamente utilizar material reciclado.
Avalie a consciência sobre as escolhas e a coerência do processo, e não apenas a utilização de uma determinada matéria-prima.
7. POTENCIAL DE DESENVOLVIMENTO até 10 pontos
Observe o potencial da pessoa criadora para continuar desenvolvendo sua pesquisa e sua linguagem.
Aqui vale considerar a trajetória apresentada, a capacidade de experimentação e as possibilidades que o trabalho demonstra.
Não significa premiar quem já está pronto. A chamada é para novos talentos.
8. COERÊNCIA ENTRE CONCEITO E RESULTADO até 10 pontos
Observe se existe conexão entre aquilo que a pessoa propõe e aquilo que efetivamente apresenta.
Nota alta: conceito, materiais, técnica e resultado conversam entre si.
PARA AJUDAR
Pergunte:
Existe uma ideia? Existe pesquisa? Existe autoria? Existe domínio ou potencial técnico? Existe coerência?
Ao final da avaliação, o campo de comentário é opcional, mas será muito bem-vindo para registrar alguma percepção importante sobre a proposta.
Obrigada por contribuir com o seu olhar.
CARIOCAR + Círculo Ltda e Movimento Sou de Algodão. ARTE PARA VESTIR Revela o processo de quem o constrói.
Mércia Aparecida de Cachoeiro de Itapemirim-ES @r21croche
R21 CROCHÊ
Aprendeu crochê aos 12 anos e, ao longo de 30 anos de prática, desenvolveu receitas próprias e aprofundou sua relação com a técnica. Há 6 anos profissionalizou o trabalho, transformando a paixão pelo crochê em fonte de renda. Atualmente, além da produção de peças, também ministra cursos presenciais.
A marca também trabalha com referências geradas por inteligência artificial, reproduzindo peças com fidelidade e explorando combinações de cores para desenvolver criações personalizadas.
Projeto apresentado:
A peça enviada foi desenvolvida em crochê a partir do aproveitamento de sobras de fios, transformando materiais que poderiam ser descartados em uma nova criação.
Sustentabilidade:
A proposta destaca a durabilidade do crochê e o reaproveitamento de materiais residuais. A peça apresentada utiliza sobras de fios, incorporadas à criação como forma de reduzir o descarte de materiais.
ATELIÊ SHALOM - Antônio Augusto Farias Corino de Viçosa, Alagoas.
ATELIÊ SHALOM
Antônio Augusto Farias Corino
Estudante, artesão e fundador do Ateliê Shalom, Antônio Augusto também atua como coordenador de artesanato na Associação Cultural do Quilombo Sabalanga. Sua trajetória na moda começou pelo artesanato e pelo crochê, técnica que se tornou uma das principais formas de expressar sua identidade criativa.
Seu trabalho une artesanato contemporâneo, moda, cultura brasileira e sustentabilidade, com referências especialmente ligadas a Alagoas e ao Nordeste. Suas criações incorporam elementos como o Guerreiro Alagoano, a fauna, a flora e a identidade quilombola, traduzidos para a moda contemporânea.
Além do crochê, utiliza técnicas mistas, fuxico, aplicações têxteis e materiais reaproveitados, buscando equilibrar tradição e inovação.
Projeto apresentado:
A proposta para a chamada parte da pesquisa sobre identidade, cultura e sustentabilidade, utilizando o artesanato como ferramenta para preservar memórias e transformar referências culturais brasileiras em uma criação autoral.
Sustentabilidade:
O processo contempla o uso consciente e o reaproveitamento de materiais, como CDs, retalhos e aviamentos, além do planejamento para reduzir desperdícios. A proposta também considera a sustentabilidade cultural, por meio da preservação de técnicas manuais e da valorização das referências culturais de Alagoas e do Nordeste.
MALUNI - Mariana Galdino da Silva | Carapicuíba, São Paulo @malunicrochet
MALUNI
Mariana Galdino da Silva | Carapicuíba, São Paulo
@malunicrochet
Aos 20 anos, Mariana é técnica em Estilismo e Coordenação de Moda pelo Senac SP, graduanda em Design de Moda e atua como assistente de estilo. Apaixonada por moda e artes manuais, desenvolve a Maluni, marca autoral em início de trajetória, voltada a processos criativos e sustentáveis a partir do crochê, bordado e outras técnicas manuais.
Sua pesquisa parte da relação entre o que expressamos externamente por meio do vestir e nossas raízes e identidade interior. As peças buscam traduzir essa conexão em uma linguagem autoral, contemporânea e única.
Projeto apresentado:
A proposta da Maluni utiliza o crochê e as artes manuais para criar peças duradouras, que combinam identidade, estilo e processos de produção autorais.
Sustentabilidade:
Algumas criações são produzidas a partir da junção de filamentos provenientes de peças antigas e descartadas, geralmente compostas por algodão. Esses materiais são transformados em novas peças autorais por meio do crochê, prolongando sua vida útil e evitando o descarte.
Sara Oliveira Nonato | São José do Rio Preto, São Paulo@crochedasaraononato
CROCHÊ DA SARA NONATO
Sara Oliveira Nonato | São José do Rio Preto, São Paulo
@crochedasaraononato
Designer formada em Design de Produto pela FAAP, Sara atuou por anos no ramo da joalheria, desenvolvendo peças com foco na relação entre objeto e usuário. Sua pesquisa também passa por trabalhos artísticos e de mobiliário.
Há dois anos começou a estudar crochê e, durante o processo de criação do próprio vestido de noiva, encontrou na técnica um novo caminho criativo. Atualmente trabalha exclusivamente com criação de peças em crochê e ministra aulas.
Sua linguagem parte da ideia de que o objeto deve se adaptar à pessoa, e não o contrário. Busca criar peças bonitas, mas também úteis, adaptáveis, práticas e surpreendentes, explorando diferentes pessoas, materiais, cores e possibilidades.
Projeto apresentado:
A proposta utiliza fios de diferentes cores e texturas que já fazem parte de seu acervo, aplicados como elementos de adorno na peça. A intenção é transformar as sobras acumuladas no ateliê em parte da criação, revelando a beleza e a diversidade de materiais presentes em seu processo.
Sustentabilidade:
O reaproveitamento de sobras e retalhos de fios é parte importante de sua prática. Sara busca utilizar cada pedaço de material em novos projetos, evitando o descarte e prolongando sua vida útil. Também compartilha essas possibilidades por meio do ensino, mostrando como materiais que poderiam ser considerados resíduos podem ganhar novas funções e significados.
Pier Bicalho de Rio Doce, Minas Gerais @pierbicalho
Pier Bicalho
Rio Doce, Minas Gerais
@pierbicalho
Coletivo Artes Manuais do Rio Doce
Designer de moda formado pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), Pier Bicalho desenvolve sua trajetória a partir do encontro entre o design contemporâneo e os saberes artesanais brasileiros.
Sua pesquisa parte de materiais, memória, identidade e território, transformando referências culturais em criações autorais que dialogam com a moda contemporânea. Em Rio Doce (MG), atua em parceria com artesãs locais, fortalecendo o artesanato como patrimônio cultural e linguagem de criação dentro da economia criativa.
Seu trabalho já participou de eventos de moda e design e recebeu reconhecimento em premiações nacionais e internacionais, articulando tradição e inovação como forças complementares.
A sustentabilidade atravessa todo o seu processo criativo, da escolha dos materiais à construção das peças. A valorização de práticas de baixo impacto, o uso responsável de matérias-primas e a produção em pequena escala refletem uma visão de moda que considera também as pessoas, os territórios e os saberes envolvidos.
Para Pier, o fazer manual é uma expressão central de uma moda sustentável. Cada peça carrega tempo, identidade e história. Ao aproximar técnicas artesanais do design contemporâneo, seu trabalho contribui para preservar patrimônios culturais e fortalecer redes produtivas.
Entre tradição e contemporaneidade, Pier Bicalho constrói uma moda que valoriza o território, quem faz e o conhecimento artesanal como futuro.
Lu Balestero de Paripueira, Alagoas @lubalestero · @balestero_oficialBalestero
Lu Balestero
Designer de moda, figurinista e empreendedora criativa, Luciana Torres, conhecida como Lu Balestero, desenvolve sua trajetória a partir do encontro entre a moda autoral, o artesanato e a identidade cultural brasileira.
Formada em Produção de Moda pela Escola Técnica de Artes da Universidade Federal de Alagoas (ETA/UFAL), também é graduada em Direito e especialista em Gestão de Negócios. À frente da Balestero, cria coleções autorais que valorizam técnicas tradicionais, com destaque para a renda filé alagoana, explorada em propostas contemporâneas e sustentáveis.
Seu trabalho combina técnicas manuais, bordado, pintura têxtil e modelagem sob medida, transformando saberes tradicionais em peças com forte expressão artística. Sua atuação também passa pela criação de figurinos para audiovisual, desenvolvimento de estampas e projetos culturais.
A sustentabilidade está presente na escolha consciente de materiais, no aproveitamento dos recursos e na criação de peças atemporais, pensadas para durar. Ao valorizar processos manuais e reduzir desperdícios, Lu aproxima inovação e responsabilidade sem abrir mão da identidade cultural.
Para Lu, a moda também é uma ferramenta de transformação social, geração de renda e preservação da cultura. Seu trabalho fortalece o design autoral brasileiro ao conectar território, experimentação e saberes tradicionais.
Entre a renda filé, o fazer manual e o design contemporâneo, Lu Balestero transforma tradição em criação e cultura em futuro.
Henrique dos Santos de Arapiraca, Alagoas, @Scapho
SCAPHO
Henrique dos Santos, fundador e diretor criativo da Scapho, desenvolve uma marca autoral que transforma o crochê em uma expressão contemporânea de luxo. Seu trabalho une técnica, design e exclusividade, com produção em pequenas quantidades, aplicações feitas à mão e atenção aos detalhes e acabamentos.
A pesquisa da marca busca ressignificar o crochê na moda contemporânea, aproximando o artesanal da inovação, da identidade brasileira e de uma estética sofisticada e atemporal.
Projeto apresentado:
Para o CARIOCAR, Henrique propõe uma peça desenvolvida a partir dos princípios de produção consciente, valorizando o trabalho manual, o planejamento e o uso responsável dos materiais. A proposta prioriza a redução de desperdícios, a durabilidade e a criação de uma peça atemporal, como forma de incentivar um consumo mais consciente.
Sustentabilidade:
A marca relaciona sustentabilidade à produção em pequena escala, ao cuidado no processo artesanal, à redução de desperdícios, à durabilidade das peças e à valorização do tempo e do trabalho manual. https://www.instagram.com/scaphobrasil
Morgana Gomes de Fortaleza, Ceará @ubamango - Ubá Mango
Morgana Gomes Leandro
Empreendedora criativa, Morgana Gomes Leandro constrói sua trajetória a partir do encontro entre cultura, identidade, artesanato e design. Sua experiência começou em 2018, com a criação da Go Go Store, voltada à cultura pop e ao universo do K-pop, aproximando-a da criação de produtos, comunicação e construção de comunidades.
Em 2021, passou a experimentar a criação de bolsas artesanais a partir de materiais e referências regionais. Dessa experiência nasceu a Ubá Mango, marca cearense de moda autoral que valoriza elementos da cultura nordestina, o artesanato e o território através de uma perspectiva contemporânea.
A marca já esteve nas passarelas do DFB Festival, em parceria com a estilista Marina Bitu, e posteriormente integrou a São Paulo Fashion Week, em parceria com Gi, à frente da TA Studios, ampliando a presença da Ubá Mango no cenário da moda brasileira.
A sustentabilidade está presente principalmente na escolha e no reaproveitamento de materiais, na valorização do trabalho artesanal e na criação de produtos pensados para ter significado e longevidade. Para Morgana, criar de forma consciente também é olhar para o que já existe, encontrar novos usos para os materiais e fortalecer saberes e processos locais.
Na criação de suas peças, busca reduzir desperdícios, aproveitar sobras de materiais em detalhes e acabamentos e valorizar processos mais lentos e manuais. A intenção é pensar não apenas no material utilizado, mas em todo o ciclo da peça, incluindo sua durabilidade, manutenção e possibilidade de reparo.
Na Ubá Mango, território, matéria e cultura nordestina se transformam em peças autorais que carregam identidade e novos significados.
Artesãos - Ana Paula Balieiro Alves e Joao Paulo de Oliveira Souza |
A Praia de Rio nasceu para traduzir a essência do slow fashion e da moda autoral por meio de um design que valoriza a calma da criação e a força da identidade regional. A marca constrói sua trajetória a partir do fazer artesanal, aproximando técnicas manuais e design contemporâneo em peças de caráter único.
O macramê e o crochê ocupam um lugar central nesse processo, com atenção à técnica, à precisão e à construção de cada peça. O trabalho manual permite explorar texturas, formas e volumes de maneira individual, em contraponto à lógica da produção em massa.
A sustentabilidade atravessa esse processo a partir da escolha consciente de materiais, da redução de desperdícios e da valorização de uma produção mais lenta e responsável. Para a Praia de Rio, trabalhar com o tempo também significa respeitar o processo de criação e reconhecer o valor de cada etapa da construção artesanal.
Em suas criações, a marca busca incorporar elementos e materiais regionais que celebram a cultura paraense e fortalecem a identidade brasileira. O resultado são peças que conectam território, técnica e sofisticação, com uma estética pensada para permanecer além das tendências.
Na Praia de Rio, o tempo vira matéria: o fazer manual encontra a identidade amazônica em peças únicas, conscientes e atemporais.
Amanda Raielly de Salvador, Bahia @use.atelieaurora Ateliê Aurora
Amanda Raielly
Salvador, Bahia
@use.atelieaurora
Ateliê Aurora
A relação de Amanda Raielly com o crochê começou ainda na infância, entre memórias familiares e a convivência cotidiana com diferentes técnicas artesanais. Na pré-adolescência, passou a se dedicar ao crochê de forma mais intensa, encontrando no fazer manual não apenas uma possibilidade criativa, mas também uma forma de contribuir para a realização do sonho de estudar em Salvador.
Durante a pandemia, de volta ao interior da Bahia e junto à família, retomou profundamente sua relação com o artesanato. Entre agulhas, tecidos e novelos espalhados pela casa da mãe, o crochê tornou-se também uma forma de atravessar o isolamento. Mais tarde, seus estudos em artes contemporâneas, imaginário, mídia, moda e digital ampliaram essa relação, levando-a a compreender o crochê como uma linguagem artística e uma possibilidade de criação em moda.
Entre 2023 e 2024, desenvolveu a experimentação artística *Ponto Fantasia – muitas coisas possíveis*, processo de pesquisa que explorou técnicas, fios e diferentes formas de composição. A experiência deu origem à coleção-cápsula Ponto Fantasia, lançada em 2024, e continua reverberando nas criações do Ateliê Aurora.
Seu trabalho une tradição e experimentação, articulando a memória do fazer artesanal com a pesquisa em moda e artes. Cada peça é desenvolvida de forma autoral, sem reproduções, em um processo que valoriza a pesquisa, o tempo e as possibilidades poéticas do trabalho manual.
A peça apresentada na seleção é produzida integralmente à mão, utilizando fios de algodão da Círculo. O processo artesanal envolve baixo consumo de energia e água e reduz a emissão associada à produção, reforçando uma maneira mais consciente de criar e produzir.
**No Ateliê Aurora, o crochê deixa de ser apenas técnica para se tornar linguagem: memória, pesquisa e experimentação se encontram em uma moda autoral feita ponto a ponto.**
Karine Fernandes de São Paulo, São Paulo @karinefernandsK Ateliê Axé Fios · Amorir
Karine Fernandes
Formada em Design de Moda, Karine Fernandes iniciou sua trajetória na indústria, trabalhando em confecções no Brás e no Bom Retiro. A experiência permitiu conhecer de perto os processos produtivos e a realidade do setor, despertando o desejo de construir uma moda mais humana, que respeitasse o tempo, os corpos e as histórias de quem a veste.
Ao longo de sua trajetória, atuou em desenvolvimento de produto, figurino e ensino. A experiência pessoal com uma condição crônica de saúde também transformou seu olhar sobre o vestir, aproximando sua pesquisa da criação de roupas mais confortáveis e pensadas para corpos reais. Foi nesse caminho que retomou o fazer manual e aprofundou seus estudos em bordado, tricô, macramê, tingimentos naturais e técnicas tradicionais.
Hoje, desenvolve suas pesquisas por meio das marcas K Ateliê Axé Fios e Amorir, unindo arte, memória, sustentabilidade e identidade cultural. Seu processo começa antes do desenho, a partir de uma pergunta sobre como uma peça pode acolher alguém ou contribuir para preservar um conhecimento. A partir daí, pesquisa pessoas, histórias, técnicas e territórios até encontrar os materiais e processos capazes de traduzir essa narrativa.
Karine não se limita a uma única técnica. Modelagem, macramê, bordado, tricô, costura e tingimentos naturais se combinam de acordo com cada projeto, sempre com o compromisso de respeitar a origem dos saberes e valorizar os artesãos e mestres que mantêm vivas essas práticas.
Na peça apresentada, o Barbante Apolo Macramê Círculo 24 Fios é o principal elemento construtivo. A coloração será feita com cúrcuma e casca de cebola, relacionando o processo de tingimento natural às cores observadas na natureza do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Sementes naturais e búzios completam a composição, aproximando natureza, cultura e identidade brasileira.
A produção artesanal e em pequena escala reduz desperdícios e respeita o tempo de cada etapa, reforçando uma visão de sustentabilidade que vai além dos materiais e envolve também memória, ancestralidade e pertencimento.
Para Karine, vestir é também acolher, representar e preservar: uma peça pode fortalecer a autoestima de quem a usa e, ao mesmo tempo, manter vivo um saber que não pode se perder.
Isabel Oliveira de Rio de Janeiro @isabelfaioes67 Veja o portfolio, como artigo complementar dos acessórios.
Isabel Oliveira
Rio de Janeiro
@isabelfaioes67
Designer de Moda, Isabel Oliveira desenvolve um trabalho autoral que aproxima moda, arte, arquitetura e sustentabilidade. Sua criação parte da pesquisa conceitual e histórica para compreender o vestir como linguagem, estrutura e experiência sensível.
Cada peça nasce do encontro entre conceito e construção, valorizando o processo criativo, o tempo do fazer e a relação consciente com a matéria. Sua pesquisa transita entre vestuário, design têxtil, joalheria autoral e desenvolvimento conceitual, explorando diferentes possibilidades para transformar referências em formas de vestir.
Ao longo de sua trajetória, participou de concursos e projetos de moda autoral, entre eles o Denim City SP, com a jaqueta *MA – Arquitetura da Dobra*, e o Ginga RN, com a coleção *Matrizes da Terra – Xilogravuras*. Em suas criações, pesquisa e experimentação se encontram na construção de peças conceituais que ultrapassam a função do vestir.
A sustentabilidade está integrada ao processo desde a escolha dos materiais até a construção da peça. Isabel busca trabalhar com matérias-primas conscientes, técnicas artesanais e soluções que reduzam desperdícios, valorizando o uso eficiente dos recursos e o trabalho manual.
Sua proposta também considera o tempo de vida da peça: criar objetos duráveis, reparáveis e atemporais, capazes de permanecer relevantes para além das tendências.
**Entre matéria, forma e conceito, Isabel Oliveira transforma a roupa em experiência, aproximando moda, arte e arquitetura por meio de uma criação consciente e autoral.**
Sofia Lopes
A relação de Sofia Lopes com o fazer manual começou antes mesmo de ela perceber. Crochê, fuxico, renda de bilros e tricô atravessavam gerações da família materna, presentes no cotidiano como saberes transmitidos pelo tempo. Por muito tempo, porém, Sofia resistiu à ideia de aprender. Até que, depois de muita insistência consigo mesma, aprendeu crochê sozinha e descobriu que criar com as mãos já fazia parte de sua história.
Ao escolher uma profissão, encontrou na Moda um caminho ainda pouco explorado em sua família. A escolha também foi uma forma de afirmar que a moda poderia ser mais do que gosto ou hobby: poderia ser profissão, pesquisa e campo de criação.
Hoje, sua pesquisa parte justamente desse encontro entre moda e memória. Os fazeres manuais de sua família se transformam em referências para compreender sua própria identidade como criadora e investigar como os saberes que atravessaram gerações continuam presentes em sua forma de criar.
Seu trabalho utiliza a moda como linguagem para contar histórias e expressar sentimentos. Suas criações nascem da pesquisa, da memória e das técnicas manuais, transformando experiências e narrativas em peças que comunicam sem precisar de palavras.
Para Sofia, o fazer manual também propõe outra relação com o tempo e com o consumo. Uma peça construída à mão envolve cuidado com os materiais, atenção a cada etapa e uma conexão mais próxima entre quem cria e quem veste.
A sustentabilidade, nesse sentido, também está na permanência. Criar peças que despertem afeto, que as pessoas queiram guardar, cuidar e transmitir é uma forma de prolongar sua vida e repensar a lógica do descarte.
Para Sofia, criar moda é continuar uma história que começou antes dela — transformando memória, afeto e saberes manuais em algo que pode ser vestido.
Elizangela Malcher de Belém, Pará da Closet L'amour Crochet@closetlamourcrochet
Elizangela Costa Dias Malcher
A trajetória de Elizangela Costa Dias Malcher nasce do encontro entre o crochê, a criação autoral e a cultura amazônica. A partir de sua formação, passou a desenvolver suas próprias modelagens para criar peças em crochê inspiradas na fauna da região, tendo a onça-pintada como uma de suas principais referências.
Seu trabalho utiliza o fazer manual como ferramenta de expressão e valorização da identidade amazônica, transformando elementos do território em peças de moda que aproximam técnica artesanal e criação contemporânea.
A sustentabilidade está presente na escolha dos processos e materiais, com práticas de aproveitamento e upcycling, produção artesanal e local, redução de resíduos e pesquisa de materiais. A valorização das técnicas tradicionais também faz parte desse processo, reconhecendo o conhecimento manual como patrimônio e possibilidade de criação.
Ao desenvolver suas próprias modelagens, Elizangela amplia as possibilidades do crochê dentro da moda autoral, criando peças que carregam o tempo do fazer manual e referências diretamente ligadas ao território paraense.
No Closet L'amour Crochet, o crochê encontra a fauna amazônica para transformar cultura, técnica e território em moda autoral.
O CARIOCAR reúne marcas autorais que acreditam na criatividade, na produção consciente e no poder das conexões. Preencha o formulário com atenção e apresente sua marca. Será um prazer conhecer o seu trabalho e sua história.